Se você quer saber para onde vai a embalagem de alimentos, a Fispal Tecnologia 2026 deu a resposta em forma de número. Metade dos estandes da feira era de embalagem, cinco pontos percentuais a mais que na edição anterior. Sustentabilidade deixou de ser discurso e virou produto lançado, com resina reciclada, fibra e ecodesign disputando espaço no chão de fábrica.
Embalagem virou a atração principal da feira
A Fispal Tecnologia e a TecnoCarne 2026 aconteceram de 16 a 19 de junho no São Paulo Expo. Reuniram 48 mil visitantes e mais de 500 expositores, segundo balanço divulgado após o evento. Embalagem respondeu por cerca de metade dos expositores, um salto de cinco pontos percentuais frente à edição passada.
Não é um detalhe de organização de feira. É o setor que mais cresceu dentro do próprio evento, num ano em que a pauta era justamente inovação e sustentabilidade. Quem acompanha a Fispal há alguns ciclos sente a diferença de proporção no piso do pavilhão.
A TecnoCarne, feira irmã dedicada à proteína animal, ajuda a explicar esse deslocamento. Frigorífico e laticínio pressionam por embalagem que resista a variação de umidade, gordura e cadeia de frio, e é justamente aí que a inovação em resina e fibra precisa provar que funciona antes de virar linha de produção.
O plástico não sumiu, virou reciclado
A Packing Group apresentou a linha Blue PE, feita com resina PCR (reciclado pós-consumo). O movimento importa porque não troca o material por outro, ele reaproveita o que já existe na cadeia. Para quem embala proteína e precisa de barreira e resistência, é uma rota mais realista do que abandonar o plástico de uma vez.
Reciclado costuma ser cobrado por barreira mais fraca que a resina virgem. Ver PCR virando linha comercial numa feira desse porte, e não só amostra de laboratório, é o tipo de prova que pesa numa decisão de compra.
É também um recado para quem ainda trata reciclado como aposta distante. A resina PCR está saindo do relatório de sustentabilidade e entrando na prateleira de insumo disponível.
Papel e fibra entram sem imitar o plástico
A Fibrasa levou o projeto “Menos é Mais”, de ecodesign: reduz o consumo de polipropileno mantendo a resistência da embalagem. A Melhoramentos apresentou a Biona, à base de fibra de celulose, segundo cobertura da Papo de Empresa sobre os lançamentos do Think Plastic Brazil na feira.
São duas rotas diferentes para o mesmo problema. Uma reduz o material que já usa. A outra troca a base por fibra. Nenhuma promete solução única, mas as duas mostram que o setor está testando caminhos em paralelo, não apostando tudo numa alternativa.
Proteína animal e pet puxando embalagem flexível certificada
A Videplast apresentou embalagem flexível para proteína animal e pet com certificação IFS Pack Secure. Esse detalhe diz mais do que parece. Certificação de segurança de embalagem virou argumento de venda tão forte quanto a barreira técnica do filme.
Frigorífico e laticínio que exportam já convivem com essa exigência. O que muda é ver fornecedor de embalagem levando isso para o centro do estande, não como anexo de ficha técnica.
O que muda pra quem decide a linha de embalagem
O Brasil não está isolado nessa agenda. Regulação e demanda de mercado empurram embalagem reciclada e fibra lá fora há alguns anos, e o que apareceu no São Paulo Expo mostra o setor nacional andando no mesmo passo, com fornecedor de resina, filme e fibra lançando produto de verdade, não protótipo de vitrine.
Para quem gerencia linha de embalagem hoje, a pergunta não é mais se essa mudança chega. É quando o fornecedor atual vai oferecer opção equivalente, e se a linha de produção está pronta para receber um material com comportamento diferente do plástico convencional. A pergunta que fica pra quem compra embalagem hoje é direta. Seu fornecedor atual já tem resposta pronta pra essa direção, ou você vai descobrir isso pela mão do concorrente primeiro?
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Antonio Guimarães acompanha de perto o setor de embalagem para alimentos há 16 anos, visitando frigoríficos e laticínios em todo o Brasil.
